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Ler a edição 16

Oncologia · Edição 16, p. 68

E as outras cores?

Sabemos que existem campanhas como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, que chamam a atenção para dois dos tumores mais frequentes no Brasil.

Sabemos que existem campanhas como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, que chamam a atenção para dois dos tumores mais frequentes no Brasil. Hoje, homens e mulheres já têm acesso a informações sobre a importância da prevenção e dos cuidados com a saúde. Quando o conhecimento existe, cabe a cada pessoa decidir se irá adotar atitudes preventivas. Mas e os outros tumores? Será que recebem a mesma atenção?

Ao encerrar o Mês de Setembro, quero aqui levantar a bandeira da MORTALIDADE, não só a frequência. As neoplasias malignas que mais matam os brasileiros são Câncer de Pulmão, Câncer de Intestino e Estômago. Proporcionalmente ao pequeno número de diagnósticos do Câncer de Pâncreas, sua agressividade é responsável pela alta mortalidade por esta neoplasia, apesar dos avanços da Oncologia. Neste sentido, demostro abaixo quais medidas de prevenção, rastreamento e possibilidade genética desses tumores de alta mortalidade:

Câncer de Cólon e Reto (intestino)

Fatores de Risco: Dietas pobres em fibras e ricas e alimentos ultraprocessados ou processados (embutidos); sedentarismo, obesidade, tabagismo e consumo excessivo de álcool; histórico familiar da doença ou síndromes hereditárias, como a síndrome de Lynch e a polipose adenomatosa familiar (PAF) e a presença de pólipos intestinais prévios ou doenças inflamatórias intestinais.

Rastreamento: Recomendado geralmente a partir dos 45 anos para pessoas sem sintomas ou histórico familiar (ou antes, conforme orientação médica). Quem tem parentes com a doença deve iniciar o rastreamento dez anos antes da idade em que o familiar foi diagnosticado.

Formas de rastreamento:

Colonoscopia: Permite visualizar o intestino, diagnosticar lesões e remover pólipos antes que virem câncer.

Teste Imunoquímico Fecal (FIT): Exame de fezes usado como referência em protocolos de rastreamento para detectar sangue oculto.

Câncer de Pâncreas

Fatores de Risco: Tabagismo; obesidade; Diabete Mellitus; Pancreatite Crônica; Idade Avançada; Exposição Ocupacional; Histórico Familiar e Genético (Cerca de 10% dos casos decorrem de mutações hereditárias ou sín dromes genéticas – como alterações nos genes BRCA1, BRCA2 ; os mesmos dos cânceres de Mama e Próstata – ou pancreatite hereditária; gene SBDS).

Rastreamento: Não há (infelizmente, só está indicado algum exame se paciente portar alguma Síndrome Genética – por isso é tão importante o rastreamento genético)

Veja abaixo algumas opções de rastreamento:

Mecanismo Genético Comum: O Sistema MMR – A base molecular que une ambas as neoplasias está na perda de função dos genes responsáveis por corrigir os erros que ocorrem naturalmente durante a replicação celular.

Genes afetados: As mutações ocorrem principalmente nos genes MLH1, MSH2, MSH6 e PMS2 (além de deleções no EPCAM).

Instabilidade de Microssatélites (IMS): Sem o reparo adequado, as células acumulam mutações em regiões repetitivas do DNA (microssatélites), acelerando drasticamente a transformação de células normais em malignas.

Comparativo de Risco e Manifestação

Como última orientação, ressalto que nem todos têm indicação de rastreamento genético, mas todos têm indicação de rastreamento por idade e sexo para mamas, próstata, intestinos, colo de útero e pulmão para quem fumou.